Sábado, 11 de Fevereiro de 2006
Um nascer do Sol
11 meses de guerra em Angola 017.jpg-blog.jpg


Se o leitor já assistiu a um nascer do Sol no interior, estará, possivelmente, nesta altura, a sentir essa mística do dia que nasce, cobrindo a terra com o manto de alegria, de novas esperanças, de novas certezas. De certezas como aquelas que, na altura, todos sentiam. A certeza de amarem essa terra. De, por ela, serem capazes de todos os sacrifícios, até o da própria vida. Apreciando toda aquela maravilhosa beleza, seguiam os homens. Homens que envergavam uma farda, um camuflado.
De repente, é uma GMC que avaria. A coluna para. Todos, ou quase todos, descem. Alguns montam «segurança» ao longo dos dois lados da estrada. Outros fumam para aquecer «lá dentro». Para eliminar os últimos bocados de frio que teima em deixar os corpos, já nessa altura o sol começa a fazer sentir os seus efeitos. O mecânico dirige-se à GMC e com bons modos, como se falasse a um ente querido, exclama:
---- Então o que tem a «menina»?
O condutor responde:
--- Falhou de repente, ia engatada em segunda e foi-se abaixo!
Começaram os comentários.
Uns diziam: Hum! Deve ser das velas. ---Outros acrescentavam: --- não; é capaz de ser do filtro. ---Outros ainda rematavam: ---Com certeza que é o distribuidor. O mecânico dirigiu-se à cabina, e rodando a chave de ignição, fez com que a GMC desse um ronco, uns soluços, uns espirros e ei-la que começa a trabalhar.
--- A «menina» agora não vai falhar!
Alguns sinais e a coluna retoma a marcha. Toda a gente conversa. Quase todos fumam. Mas vão com atenção à paisagem, ao ambiente que os cerca, e, instintivamente, prontos a saltar ao mínimo barulho suspeito, ou ao mais pequeno sinal do comandante da coluna.
Pela frente, apresenta-se agora uma descida. Uma curva e contracurva ladeadas por dois morros cobertos de capim e arvoredo. Ao fundo, um pequeno vale, em cujo leito corre um riacho. Depois dos morros existe uma subida que obriga os condutores a meterem uma primeira a fim de que a encosta possa ser vencida!
A cerca duns duzentos a quatrocentos metros, a mata! Mata cerrada. Mata, cujas copas oferecem um escudo que se opõe à penetração dos raios solares. Mata do Norte de Angola! Os esforços dos carros são titânicos. Alguns começam a subir a encosta. Outros descem em direcção ao pequeno vale. Ouvem-se as risadas e incitamentos de todas as viaturas. A calma, à parte o burburinho próprio dos motores, é absoluta.
De repente um tiro…


publicado por fercobanco às 02:36
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