Quarta-feira, 22 de Março de 2006
Por fim…

Por picadas ainda pouco batidas e aos solavancos, chegámos à nova posição de tiro. Quase sem que a ordem fosse escutada, os homens saltaram das viaturas e prepararam o material. Foram desatreladas as bocas-de-fogo e os carros de munições. O comandante da força mandou colocar as bocas-de-fogo em posição, em função de determinadas alças e ângulos de tiro.

         Do lado esquerdo dos 8,8, estavam os carros de munições, em sentido perpendicular às primeiras, de portas abertas, com os «favos» das granadas à vista.

         Simultaneamente, montava-se o resto da «máquina de guerra».

         A segurança imediata já sabia as posições. Foram ligados os telefones entre o P.C. e as bocas-de-fogo. Os rádios estavam à escuta. Aguardavam as ordens do próprio comando-chefe.

 

         Aquela era uma posição em que actuavam Infantes, Artilheiros, Comandos, Fuzileiros, Paras e a Aviação.

         O sol aquecia já a Natureza. O céu límpido, sem nuvens, dava os tons próprios de uma tela alegre.

         De repente, e cada vez mais distinto, o barulho dos motores de um helicóptero carregado de homens.

         Perdeu-se no horizonte a silhueta da máquina voadora. Nesse preciso momento, o comandante dá ordem de fogo. Cada uma por si, as bocas dos 8,8 vomitaram ferro e fogo. Iam-se corrigindo as posições de tiro consoante as ordens soavam.

         A granada era introduzida na culatra do obus. Fazia-se a correcção. Os componentes das secções sabiam exactamente quais eram as suas funções. Antes do disparo tudo culminava com a pancada dada nas costas do apontador pelo comandante de secção. Escassas fracções de segundo, quase imperceptíveis, separavam o gesto e o estrondo da granada.

         Lá seguia o projéctil, rumo ao ponto resultante dos cálculos feitos.

         Lá caía na mata obrigando os «turras» a desalojarem-se das suas posições. Alguns minutos marcavam o rebentar constante das granadas de artilharia, ao longe, após o silêncio que separava o disparo do ponto de queda do projéctil.

         Repentinamente, surge a ordem de cessar-fogo!!!

         Tudo se calou. Nada se ouvia. Nem mesmo o pessoal conseguia escutar as palavras que se trocavam. Momentâneamente surdos, os homens começaram a fumar.

         Ainda ali se passaram umas horas. Durante esse tempo, a evolução dos helicópteros por sobre as nossas cabeças foi o tema. Iam buscar secções de «páras» e de «comandos» que largavam depois no meio da mata para a limpeza final.

         Vezes sem conta os «helis» passaram sobre nós.

         Mais tarde, soubemos que os resultados conseguidos foram compensadores. Um número determinado de «turras» foi capturado. Outros entregaram-se. Muitos morreram.

         Tempos depois, a nossa unidade foi louvada pela maneira como actuou, permitindo com o seu contributo, que a operação efectuada na zona Z do Norte de Angola resultasse num êxito espectacular…

 

 


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publicado por fercobanco às 00:08
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