Sábado, 22 de Julho de 2006
Rumo ao local X da carta…

 

O ambiente na messe de sargentos era de verdadeira boa disposição. Trocavam-se impressões sobre os mais diversos e variados assuntos. De repente, há um «cochichar» entre a «malta» e começa a correr o boato de uma operação a realizar no outro dia. Lá fora, a noite caía sobre o acampamento começando a habitual ronda entre os postos de sentinela no meio da «algarviada» dos insectos.

- Qual é o pelotão?

- Para onde é a ida?

- Actuaremos ao nível de Infantes ou de Artilheiros?

- Bem meus amigos, constou-me! Nada há de concreto!

É nesse momento que a ordenança entra e diz:

- O nosso capitão quer os homens do terceiro e quarto pelotões reunidos dentro de um quarto de hora em frente à secretaria, na parada. Manda chamar também o nosso primeiro-sargento!

- Ora ai está! Eu não vos disse? É certo. Temos operação.Os comandantes de secção daqueles pelotões saíram em direcção às casernas.

- Atenção ao pessoal do terceiro e quarto pelotões! Formar em frente às camaratas…T`á andar!...

- Mexe-me os pés rapaz…

- Sim senhor meu sargento, já t`ou a ir…

E a algazarra surge. Os soldados trocam impressões…

- O que será?

- Temos trabalhinho…Cheira-me a esturro…

- Oh pá. Tá-se mesmo a ver que temos passeio. É como «gente grande» …Vais ver…

- Pois é… Vamos ter «farra» …

A conversa alastrava-se…Surgiram as mais diversas hipóteses sobre o que se estaria passando…No entanto, o pessoal lá foi formando, e, cinco minutos depois, Toda a gente se encontrava em frente das casernas, logo a seguir chegavam os comandantes dos dois pelotões e o capitão…

- Atenção! Sentido!...Dá licença meu capitão?

- Sim senhor, mande descansar!

- Descan…sar!...À vontade!

Pela cara daqueles homens passou uma expressão de interrogação. Que estaria para acontecer? Certamente que mais uma operação se iria realizar.

E o capitão começou a falar:

Meus caros: amanhã temos festa! O pessoal deve preparar-se para uma operação de alguns dias. Vamos fazer uma batida no sítio X. Como sempre, lembro-vos a vossa condição de Artilheiros. Como sempre, conto convosco! Depois, irão receber as rações de reserva e as munições…A saída está prevista para esta madrugada. Os condutores devem fazer a verificação das viaturas. O nosso furriel Coelho proceda aos abastecimentos de gasolina e gasóleo de todas as viaturas. Os senhores comandantes de pelotão devem dar os últimos retoques para a saída. Podem dispersar!...

A seguir aconteceu uma reunião de graduados dos dois pelotões, a fim de serem ultimados os preparativos. A noite tornou-se mais escura. As estrelas desapareceram do céu. O barulho da noite, na mata, impôs-se a todos.

Mais algumas conversas se faziam sentir, em grupos, aqui e ali, depois dos breves instantes em que toda a gente ouviu a Natureza. O tema das conversas, entretanto, começava a ser o mesmo, a operação do dia seguinte.

Começaram a dispersar-se os homens para prepararem as suas «coisas».Passaram as horas! O silêncio da noite tornou-se a constante do tempo.

*

A madrugada nasceu. Um cinzento, de névoa, marcou o despertar dos homens! Todavia, a noite teimou ainda em querer cobrir o nascer do dia! O tempo era de cacimbo, mas, nessa hora matinal, o frio apertava! Tomava-se o café.Alguns minutos depois já os homens do terceiro e quarto pelotões estavam preparados junto às viaturas aguardando ordens! Oficiais e sargentos trocavam impressões. A hora aproxima-se. Algumas GMC – «roncavam» na parada aquecendo os motores.

Surge a ordem de «subir» e toda a gente ocupa os seus lugares nas viaturas. Fortes acelerações marcam a saída da coluna rumo ao local X onde se iria desenrolar mais uma operação com o nome de código Y, empenhando as forças H e Z.

Nessa altura já o sol havia vencido a parda madrugada abraçando a terra com os seus raios quentes, num espreguiçar de amante, ciente dos seus carinhos matinais…

A poeira começou a envolver as viaturas da retaguarda da coluna, obrigando os homens a colocar no nariz os lenços do camuflado. Ao lado de cada homem a inseparável FN, que, juntamente, com o abraço dos raios solares, emprestava a todos uma sensação de conforto e segurança.

A conversa generalizou-se e os mais diversos assuntos foram focados.

O tema principal era a operação que se avizinhava. Quilómetros foram andados. A paisagem, sempre a mesma, apresentava, por vezes, um esverdeado entre dois morros que delimitavam perfeitamente uma linha de água, local, normalmente, utilizado pelos «turras» para «desafianço».Subidas e descidas eram a constante dos morros existentes ao longo do percurso, em locais propícios para uma emboscada. Somente, um observador atento se lembraria disso, porque os homens nem sequer em tal hipótese pensavam. Se surgisse o ataque, a reacção seria, certamente, instantâneo pensamento de todos estava no sítio X, onde a batida se iria processar. Portanto havia tempo de sobra para pensar em guerra. Por enquanto, a preocupação era fumar um cigarro e…deixar andar.

 

 


tags:

publicado por fercobanco às 20:54
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Abril 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


posts recentes

MEDO?...

UMA NOITE DE PESADELO

O ABRE-PICADAS, COMO EU L...

O NORDESTE...DE NOME PRÓP...

VEJAM COMO SOU FELIZ...

De ventre dilatado...Para...

O céu era negro

PRINCIPAIS ACTORES - SEIS...

Rumo ao local X da carta…

ANIVERSÁRIO

arquivos

Abril 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Julho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

tags

todas as tags

Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds