Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2006
UM TIRO ISOLADO
Já depois de algum tempo no acampamento, um pelotão recebeu ordem para escoltar várias viaturas pertencentes à coluna que tinha ido a S.Salvador levar mantimentos.
A noite ainda pairava sobre a terra com o seu manto negro, convidando a natureza ao silêncio. Aquele silêncio que só esta bela terra de Angola proporciona. Um silêncio misto de respeito e de medo pela escuridão. Seriam talvez umas quatro e trinta da manhã quando, no acampamento, se começaram a notar os movimentos próprios do pessoal que se preparava para a escolta. Os faróis da G.M.C. e dos Jipões rasgavam a noite mesclada, nesta altura, com o cinzento diáfano do amanhecer e do cacimbo que caía.
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Depois de todo o pessoal a postos, a coluna iniciou a marcha em direcção a uma localidade onde uma outra escolta estaria à sua espera a qual, depois, a conduziria a Ambrizete. Ordens que se gritam por um lado; gracejos apoiados por sonoras gargalhadas; frio, um frio que enregelava os ossos. Frio que obrigava os homens a proteger o pescoço sob a gola do camuflado. Já teríamos feito talvez uns vinte quilómetros por entre cabeços e montes, vales e planícies, tudo coberto de partículas de cacimbo, que molha. De cacimbo que enferruja os ossos. Cacimbo que penetra no corpo fazendo tiritar de frio. De cacimbo cinzento misturado com o verde da terra e o avermelhado do sol que nasce e que dá uma tonalidade estranha e indefinível; uma tonalidade bela; uma tonalidade própria de Angola.


publicado por fercobanco às 22:39
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2006
O primeiro contacto
Só então, tomámos contacto com o novo lar, com aquilo que viria a ser, nos próximos meses, o nosso lar.
Eram moradias que tinham pertencido às Obras Públicas, salvo erro, e onde estavam instalados: oficiais, sargentos e praças.
Oficiais e sargentos possuíam duas dessas moradias, com seis quartos cada uma.
Os beliches de três camas davam a cada quarto o aspecto de uma pequena cabina de navio.
Espingardas penduradas pelas paredes. Capacetes de aço da mesma maneira. Malas. Sacos de campanha. Toda uma profusão dos mais variados objectos emprestavam ao ambiente um ar de permanente desarrumação! E, para terminar, o chão era de terra batida.
Todavia, daí a um ou dois meses, tudo isto estaria totalmente modificado.

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Seguiu-se o almoço de boas vindas, como já era tradição, a todos aqueles que iam de Luanda; e, se bem nos lembramos, o almoço era constituído por bacalhau cozido com batatas, cerveja, café do melhor que se fazia em todo o aquartelamento, e licor.
A nossa primeira tarde no acampamento foi simplesmente de conversa, depois da apresentação ao então Comandante da Bateria, Capitão Oliveira e Castro. Depois disso, conversou-se. Sobre tudo e sobre todos. Da melhor maneira fomos satisfazendo a curiosidade, desde o Agnelo Paiva, ao Galvão, passando pelo Barros, o Leite, o Antero e muitos outros que ali estavam.
A tarde passou-se em cavaqueira e na visita ao acampamento.
A noite chegou. Uma noite escura. Sem estrelas. A nossa primeira noite no Norte de Angola!
Nessa noite estranhámos a cama. Antes de adormecermos pensámos no que poderia a vir a ser o nosso «modus vivendi» durante os próximos onze meses.
Todavia, longe de quaisquer pretensões, esses onze meses viriam a ser aqueles que melhores recordações nos proporcionariam.Foram meses que nos ajudaram a compreender os homens, a compreender a fraternidade humana, e, sobretudo, aquilo a que chamam Amor Pátrio e espírito de sacrifício. Mas, a seguir contaremos…



publicado por fercobanco às 00:03
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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2006
Em Março de 1963
Até que, num dia qualquer de Março do passado ano de 1963,foi dada a ordem para que se preparassem todos e o respectivo material e equipamento a fim de que, daí a três dias, fosse iniciada a marcha pela estrada que sai de Luanda em direcção ao Ambriz e daí para qualquer ponto do Norte. O ambiente tornou-se azáfama com os últimos preparativos para a viagem.
Finalmente, o dia chegou e eis que a coluna, de cerca de uns quarenta camiões, se põe a caminho.

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Só cerca de dois meses mais tarde voltámos a tomar contacto com esses camaradas de armas, após termos saído do avião da F.A.P., um NORD ATLAS, que nos deixou em S.Salvador.
À chegada, lá se encontravam uma série de camaradas que, com a ansiedade nos olhos, começaram a fazer as habituais perguntas da praxe:
--- Então pá, Luanda?
--- Diz-nos, essa maravilhosa Luanda, como está?
--- E as garotas? Muitas garotas?
--- Fala-nos da Marginal, da Ilha, disto e daquilo!
Era um nunca mais acabar de perguntas cheias de saudade. De saudade dessa bela cidade, capital de Angola, que marca, de um modo geral, para todos os homens que prestam serviço no Norte e no Leste da Província, uma espécie de oásis de felicidade.
Luanda é, para todos esses homens, uma Meca de felicidade, de esperanças e de alegria.
Envolvidos por todas essas perguntas, lá respondemos da melhor maneira, falando no mesmo assunto durante minutos, horas.
De Jipão fez-se a viagem até ao acampamento. Outra série de perguntas, de inquirições, de expectativa, de sonho, em suma.



publicado por fercobanco às 04:37
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Recordando o meu irmão Jorge
Esta é a primeira de uma série de crónicas, sobre a nossa estadia em serviço de missão militar, algures no Norte de Angola. Não pretendemos, de qualquer modo, apresentar uma reportagem sintetizada, sobre o Norte de Angola e sobre os soldados de Portugal, mas sim levar até vós algumas imagens do que foi uma permanência de cerca de onze meses numa bateria de artilharia, durante o período em que nesta prestamos serviço.
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Já andavam no ar boatos de uma possível ida para o Norte, da 2ª.Bateria do Grupo de Artilharia de Campanha de Luanda, a fim de render a 1ª.Bateria que lá se encontrava em serviço, havia doze meses.
O ambiente, entre todo o pessoal, tornou-se de expectativa perante a contingência de ter chegado também a sua vez.


publicado por fercobanco às 03:40
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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2006
Este é a minha alma
cara.jpg
Com esta alegria toda, vos digo, sou optimista.
É a minha arte...


publicado por fercobanco às 00:18
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Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2006
Um fim de semana interessante
Eram 17,30 horas e resolvi ir de fim de semana a Oeiras.Ao tomar o comboio um sorriso aberto soltou-se daquele rosto tão expressivo.Loira de olhos azuis, cabelos lisos e escorridos pelas costa daquela silhueta alta e magestosa.O seu olhar atravessava o ar de um modo estranho e tentador.Os seus lábios carnudos e apetecíveis, faziam lembrar a cor de uma romã madura.Olhei para ela e para mim ela olhou.As mensagens cruzaram-se no ar e faiscavam umas de encontro às outras como se de faúlhas se tratassem.Só tive tempo de lhe desejar um bom fim de semana e acenar de um modo vencido.Au revoir joia...


publicado por fercobanco às 22:26
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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2006
Que chatice!
Há pouco escrevi um artigo e não gravei.Resultado marou.
Que chatice...


publicado por fercobanco às 01:00
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2006
A minha primeira vez
O Blog é um Blog...
Eu e os outros tentamos blogar...
Por isso estou a tentar, e quem quizer que apareça por aqui.
Vamos todos tentar


publicado por fercobanco às 01:47
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